Sou apenas este casaco cinzento,
Junto a mim uma sombra de homem,
Uma figura amarrotada, um semblante ultrapassado,
Disfarçando sorrisos, usurpando cenários.
Não me vês. Nunca serei.
Sou apenas um caso cinzento,
No teu mundo de cor um lúgubre céu,
A expressão desfeita, a postura
quebrada,
Arrastando restos de trevas, perdendo
contornos.
Ignoras-me. Nunca serei.
Sou apenas este ser cinzento,
No teu sonho um pormenor esquecido,
O casual encontro, uma palavra
engolida,
Prolongando caminhos estreitos, fingindo
fugir.
Nunca saberás. Nunca serei.

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