Wednesday, December 24, 2014

27 - Mutante

Salto de corpo em corpo, salivando suor sem calma,
Sou quem sou sem o saber ser, como quem não quer,
Sou-o pelos teus olhos que me desejam perto mas secreto,
Numa qualquer forma, segregando todo o calor da tua alma.

Fundo-me em fantasias, desfigurando peles morenas,
Estou onde estou por estar, como não soubesse desejar,
Parado nas tuas mãos que me seguram quente e latente,
De alma abandonada, alimentando noites serenas.

Mudo de rosto e sabor, percorrendo um caminho impreciso,
Beijo como beijo para disfarçar, como te quisesse calar,
Submerso na tua boca que se confessa intensa e suspensa,
De um sabor esquivo, sussurrando-te céus num improviso.

Tuesday, December 2, 2014

26 - Ruas Vazias

Sou eu quem secretamente te foge das mãos.
Misturo-me num castigo de cores, num suspirar de tons
morenos e isolados, que não se fundem nem se perdem
no fundo da rua, ao largo das sombras.

Sou eu quem silenciosamente te aclama demente.
Mascaro-me numa voz de prazer, num segredar de gritos
esguios e condenados, que não se deformam nem se escutam
no fundo da rua, ao largo das sombras.

Sou eu quem cruelmente te adormece inquieto.
Revelo-me num fugir de sonhos, num demorar de memórias
contingentes e amantes, que não se demoram nem se afastam
quando olhas para as ruas vazias, sem rasto de sombras.

                                  
                                                                               Para o amigo Octávio Lourenço.