À
tua janela todas as sílabas do meu signo canto,
as
vezes de uma canção levada por um inquieto pranto,
deste
sentimento que não me alcança, antes me acusa e me lança
sobre
um corpo vazio, de lábios suspeitos e um peito imenso de frio.
À
tua janela uma eterna madrugada de noite oriente,
que
dos seus silêncios apenas o teu nome num clamor demente,
atravessando
o céu infinito e sereno, como intruso delito que condeno
a
esta solidão de dias estreitos, num longo drama de gestos imperfeitos.
À
tua janela um último cenário, uma súbita fuga de luz,
que
me esmaga o coração rosário todo o peso desta lúgubre cruz.
Não
sei se de ti um sorriso atrasado, ou ser de mim um amante inventado,
mas
renasço nesta manhã jasmim ao largo da tua sombra rosa manequim.
