Sunday, March 22, 2015

31 - Cativo


Na profundidade do teu rosto esmagam-se rosas,
Dilatas o seu perfume doce como suplicante véu,
Para lá dos mortais cativos, do fatigante céu.
E eu, eterno escravo dessas fragrâncias sinuosas.

Na frivolidade das tuas mãos entregam-se insolentes,
Consomes a sua ávida tentação como provocante carência,         
Para lá de um desejo quieto, de uma excitante confidência.
E eu, segredo esquecido nas tuas confissões dementes.

Na imortalidade do teu peito despedaçam-se corações,
Cavalgas cada pulsação rendida como fulgurante concubina,
Para lá de qualquer amor sincero, da atraente alma feminina.
E eu, amante irracional das tuas indiscretas agressões.

Sunday, March 8, 2015

30 - Souberas Tu

Souberas tu o que é, ser homem,
Saber como é vã a tentativa de conter,
Este desejo que derrubas e deitas junto do teu,
Para que me consuma contigo e em ti,
Num misto de perdição e prazer.

Souberas tu o que é, ser fraco,
Não ter forças para fugir ou afastar-te,
Arrastar uma súplica pela tua presença,
Desaparecer quando te escondes em mim,
Ser criança indecisa que não sabe escolher.

Souberas tu o que é, ser cruel,
Deslizar pela tua carne a minha fome,
Extinguir no teu sabor a minha sede,
Ocultar a minha culpa com a tua vontade,
Deixar-te morrer sem te ousar salvar.

Souberas tu o que é, ser quem sou,
Esta alma negra que se envolve de branco,
Um anjo perfeito que omite pecado fatal,
Ser crime que aguarda dedo acusador,
Ser culpa que em ti ganha forma e corpo.

Souberas saber como é,
Sentir o que sinto,
Quando a ti,
Se confessa o homem.