Sunday, March 22, 2015

31 - Cativo


Na profundidade do teu rosto esmagam-se rosas,
Dilatas o seu perfume doce como suplicante véu,
Para lá dos mortais cativos, do fatigante céu.
E eu, eterno escravo dessas fragrâncias sinuosas.

Na frivolidade das tuas mãos entregam-se insolentes,
Consomes a sua ávida tentação como provocante carência,         
Para lá de um desejo quieto, de uma excitante confidência.
E eu, segredo esquecido nas tuas confissões dementes.

Na imortalidade do teu peito despedaçam-se corações,
Cavalgas cada pulsação rendida como fulgurante concubina,
Para lá de qualquer amor sincero, da atraente alma feminina.
E eu, amante irracional das tuas indiscretas agressões.

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