Deslizo suavemente para fora da cama arrastando comigo o nosso cheiro misturado numa fragrância azul noite atlântico equador, seguindo-me, denunciando-me, puxando-me de novo para um sentimento fechado do qual pensava estar livre. Bastou afinal um reencontro inesperado entre nós para apagar essa ilusão. Uma estreita rua de estranhos repetindo-se, um céu de texturas cinzentas sobrepondo-se, apenas mais um dia qualquer, cheio de espaços vazios até seres tu a suspender todos esses movimentos à minha volta. Do passado regressaste forte, munido do teu sorriso subtil que foi desarmando aos poucos todas as minhas inúteis defesas, num toque marginal sugerindo-me uma loucura breve, a tua respiração pesada nos meus lábios alimentando-me de novo. Porquê tu novamente? Num momento todas as palavras silenciadas como não houvessem em mim razões sobre razões que pudessem forçar-me a desistir, virar costas e esquecer. Num minuto a fragrância azul noite atlântico equador puxando-me de novo para o sentimento fechado, deixando-me aprisionada no teu abraço quente que afinal ainda resistia na minha pele como uma memória invisível. Isolada encosto-me a uma das paredes do quarto madrugadoramente penumbra e de lá olho para ti, para o teu corpo rendido. Dormes imóvel. Uma respiração quase imperceptível. Sinto-me perdida. Poderias não ser tu, mas és… Poderia ser um novo romance, um novo passo adiante num caminho que me afastasse cada vez mais de ti. Mas és tu novamente. És tu novamente… como não houvesse mais ninguém. Queria permanecer aqui para sempre ou fugir para um outro lugar, um tempo seguro onde não possas voltar a existir novamente, onde não possas ensombrar a minha pele nua. Onde não possas dominar-me mais. Mas não sei para onde ir quando é o destino quem nos aproxima, como brincasse com a minha resistência, deliciando-se por me ver render todas as guardas perante as tuas armas, vacilar perante a tua presença até me aproximar perigosamente da sensação que tivemos entre nós e que por momentos pareceu ser algo de único e imutável. Não quero estar aqui perante ti, despida de tudo o que ainda sou. Não quero. Mas estou.
Sinto-te a sair da cama devagar. Tudo é silêncio e não me atrevo a pronunciar uma única palavra nem a efectuar qualquer movimento que denuncie o meu secreto estado vigilante. Finjo que um sonho profundo me domina embora nem por um segundo tenha conseguido deixar-me embalar num sono tranquilo, avassaladoramente afectado por este nosso reencontro que me deixou num limbo abstracto e nervoso de sentimentos crus de um homem que se quer sentir vivo a cada segundo e o amante perfeito que poderia anteceder um sonho a realizar-se entre palavras desconexas. Sinto um suor frio percorrer todo o meu corpo ao sentir que te moves pelo quarto. Quase não consigo respirar… como uma presa que pressente o ataque repentino vindo de um ângulo morto do seu olhar. Um misto de desejo e medo inebria-me a mente. Ataca-me agora… e desfaz todas as dúvidas! Vem tranquilizar-me com o teu toque. Seduzi-te. Deixei que me seduzisses também... todas as cores regressaram por momentos à nossa pele cinza muro até sermos fragmentos da noite, sentinelas absorvidos na missão de se vigiarem mutuamente, duas respirações a lutar no ar entre si por este silêncio abafado. O meu sangue ferve, rompe pelas veias velozmente, descontroladamente, até me ser finalmente impossível esconder o meu batimento cardíaco caótico. Finjo acordar apenas neste momento… olho em meu redor procurando-te nos espaços vazios do quarto. Não conseguia encontrar-te, quando na verdade estás aqui mesmo à minha frente, habituado que estou a procurar-te nos cantos mais obscuros e isolados de tudo e todos. A tua silhueta misturada na escuridão do quarto, o teu cabelo delineando imperfeições aleatórias na parede como uma sombra a sobressair do nada. Não consigo ver o teu olhar. Estendo a minha mão para te chamar e o tempo parece tornar-se eterno de suspenso.
Sinto-te a sair da cama devagar. Tudo é silêncio e não me atrevo a pronunciar uma única palavra nem a efectuar qualquer movimento que denuncie o meu secreto estado vigilante. Finjo que um sonho profundo me domina embora nem por um segundo tenha conseguido deixar-me embalar num sono tranquilo, avassaladoramente afectado por este nosso reencontro que me deixou num limbo abstracto e nervoso de sentimentos crus de um homem que se quer sentir vivo a cada segundo e o amante perfeito que poderia anteceder um sonho a realizar-se entre palavras desconexas. Sinto um suor frio percorrer todo o meu corpo ao sentir que te moves pelo quarto. Quase não consigo respirar… como uma presa que pressente o ataque repentino vindo de um ângulo morto do seu olhar. Um misto de desejo e medo inebria-me a mente. Ataca-me agora… e desfaz todas as dúvidas! Vem tranquilizar-me com o teu toque. Seduzi-te. Deixei que me seduzisses também... todas as cores regressaram por momentos à nossa pele cinza muro até sermos fragmentos da noite, sentinelas absorvidos na missão de se vigiarem mutuamente, duas respirações a lutar no ar entre si por este silêncio abafado. O meu sangue ferve, rompe pelas veias velozmente, descontroladamente, até me ser finalmente impossível esconder o meu batimento cardíaco caótico. Finjo acordar apenas neste momento… olho em meu redor procurando-te nos espaços vazios do quarto. Não conseguia encontrar-te, quando na verdade estás aqui mesmo à minha frente, habituado que estou a procurar-te nos cantos mais obscuros e isolados de tudo e todos. A tua silhueta misturada na escuridão do quarto, o teu cabelo delineando imperfeições aleatórias na parede como uma sombra a sobressair do nada. Não consigo ver o teu olhar. Estendo a minha mão para te chamar e o tempo parece tornar-se eterno de suspenso.
