Wednesday, March 1, 2017

43 - Já não ouso dizer o teu nome


Já não ouso dizer o teu nome.
Ainda que sejas uma sombra constante ou um mero vento fantasma,
uma presença delirante aguardando serena nos cantos abertos
pelo íntimo pensamento que esconde os meus sentimentos incertos.

Já não ouso fantasiar o teu corpo.
Ainda que sejas um sonho inerte de tão mal-amado
e os teus vestígios permaneçam prontos a deflagrar numa noite incendiada
do teu toque tatuado, que me percorre secretamente a pele marcada.
  
Já não ouso sobreviver ao teu passado.
Ainda que para sempre sejas um curto verbo sem tempo,
perdurando nas palavras escondidas de um homem exausto
de reviver o seu único momento… como se mentiras de fausto. 

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