Pelos teus olhos nós veremos
e
seremos, tudo o que nos aproxima da ilusão
e
nos deixa a levitar longe do chão, enfeitiçados nessa incompreensão.
Ainda
que apenas sonhos lançados ao alto, regressando num ressalto,
pela
ingenuidade que se adianta, mas que a vida antecipa e levanta.
De
voos inconstantes, extinguem-se as asas flamejantes.
Pelos
teus olhos nós veremos
e
seremos, tudo o que no tempo se suspende,
mas
que nenhum espírito entende… uma alma aberta nunca se defende.
Ainda que no fim um peito destroçado, repisando
o passado
numa paixão que se dilata, abandonando-se numa noite intacta.
Do adormecer ao acordar, um intimo que não ousas partilhar.
Pelos
teus olhos nós veremos
e
seremos, tudo o que resta afinal dessa ira repetida,
de
felina a perdida, nada mais do que uma dor invertida.
Ainda
que sob a pele incendiada, uma vida inacabada,
pelo
tom de um nome maldito, levará consigo um fim infinito.
De
tão singular e nobre motim, apenas a tua alma arlequim.
Pelos
teus olhos nós veremos
e
seremos. Seremos nós também
um
pouco menos, um pouco mais.
Lívidos
venenos, sonhos de corais.
Para a minha irmã Célia Martins

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