Wednesday, March 1, 2017

44 - Ser


Perco-me ínfimo e morro, em mim, sobretudo.
Se atrás das respostas corro, quero também fugir de tudo.
Sem sentido. Acabo suspenso, da minha vida e destino,
Perdido no cenário imenso do teu sonho paulatino.

Voltar a olhar o mundo, sentir a respiração desgovernada,
Do meu espírito sem fundo, o descobrir de uma água parada.
Não sei se por algo espero, um louvor inquieto,
Se sonho, se avanço; viver sem ti… um tormento incerto.

Aprisionar a minha vida, soltar as rédeas à morte,
Da minha causa perdida, esperar um qualquer golpe de sorte.
Sei lá o que quero e o que não quero!
Por ti canto. Desespero!

De mim desapareço, num impercetível passo adiante,
De ti só não esqueço o recuar das mãos hesitante.
Ama-me a moribunda loucura, que me invade e pressente,
Da indecisão que perdura e perturba quem por mim sente.

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