Wednesday, March 1, 2017

40 - Da minha janela


Da minha janela lanço na noite os nossos fragmentos,
instantâneos capturados no rigor profundo de lívidos momentos,
resistindo no tempo como vestígios de pecados irreparáveis,

nas ruas esgotadas pelo prenúncio de desencontros repetidos.      
Somos sombras sedutoras desfeitas pelo madrugar de dias definidos,
um delírio atroz, uma força esgotada, músicas inconsoláveis.

Da minha janela vejo no horizonte um infinito deserto,
na sua amplitude todas as ilusões prostradas aqui tão perto,
sobrevivendo no imaginário como postais de espectros abandonados,

como sombras suspeitas alando esguias pela penumbra de um palco.
Somos corpos de luz encriptados na expressão nua deste quarto opaco,
duas vidas fantasma, um segredo aberto, todos os motivos errados.

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