Da
minha janela lanço na noite os nossos fragmentos,
instantâneos
capturados no rigor profundo de lívidos momentos,
resistindo
no tempo como vestígios de pecados irreparáveis,
nas
ruas esgotadas pelo prenúncio de desencontros repetidos.
Somos sombras sedutoras desfeitas pelo
madrugar de dias definidos,
um delírio atroz, uma força esgotada, músicas
inconsoláveis.
Da
minha janela vejo no horizonte um infinito deserto,
na
sua amplitude todas as ilusões prostradas aqui tão perto,
sobrevivendo
no imaginário como postais de espectros abandonados,
como
sombras suspeitas alando esguias pela penumbra de um palco.
Somos
corpos de luz encriptados na expressão nua deste quarto opaco,
duas
vidas fantasma, um segredo aberto, todos os motivos errados.

No comments:
Post a Comment