Esvaziamos
o nosso quarto aos poucos,
Como se
esvaziam recordações entre sorrisos de conversas tontas,
Aos poucos,
vamo-nos abandonando sem saber onde.
O perfume
dos nossos vestígios dissipando-se com o morrer do dia frágil,
Desaparece
vagamente no espaço de um quarto tão vazio das cores de outrora,
Dos objetos
inundados de passados, do que fomos tão perto.
Sobrevivemos
nós olhando-nos perplexos à distância de um silêncio,
Como peças
de mobília nua sem sítio onde cair bem,
Amando-se
pelo quarto fora à procura de um resto de memórias.
Despimo-nos
como despimos antes este quarto ao sabor de lágrimas,
As roupas
fazem-se fantasmas salientes no branco indiferente do espaço nu,
E a noite
abraça o resto de sentimento através da janela privada.
Engolimos a
respiração quente, calamos sussurros, lutamos juntos,
Somos
estátuas movendo-se devagar, de sentimentos já petrificados,
Únicos fragmentos de um quarto vazio onde sempre poderemos ser.
Únicos fragmentos de um quarto vazio onde sempre poderemos ser.

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