Sunday, August 23, 2020

70 - Ataque de Pânico

 

Procuro pelas tuas mãos porque há nelas um abrigo infinito,

um código de honra que me salva por não poder fazer mais nada.

Interrompida a noite instante hipnótica, como pronúncio de delito,

subi à voz na minha mente neurótica que grita para ser silenciada.

 

Sou ansiedade, nervo que perdura, loucura que não se quer nem se procura.

Declaro insanidade, incorporo a violência, demência que confirma a minha ausência.    

 

Repouso no berço do teu peito onde os pesadelos são contos de encantar,

o deslumbre de um céu aberto e o calor intenso de uma promessa divina.

Salvas-me desta fragilidade intocável pelo sabor do teu beijo no meu paladar,

de ser um longo murmúrio inconsolável a ecoar na minha alma ravina.  

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