Procuro pelas tuas mãos porque há nelas um abrigo infinito,
um código de honra que me salva por não poder fazer mais
nada.
Interrompida a noite instante hipnótica, como pronúncio de delito,
subi à voz na minha mente neurótica que grita para ser
silenciada.
Sou ansiedade, nervo que perdura, loucura que não se quer
nem se procura.
Declaro insanidade, incorporo a violência, demência que
confirma a minha ausência.
Repouso no berço do teu peito onde os pesadelos são contos de
encantar,
o deslumbre de um céu aberto e o calor intenso de uma
promessa divina.
Salvas-me desta fragilidade intocável pelo sabor do teu
beijo no meu paladar,
de ser um longo murmúrio inconsolável a ecoar na minha
alma ravina.

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