Imagino-te ainda nessa rua onde nos conhecemos
O mesmo padrão de cores inaugurando o céu.
Ali perto do mar, do sossego ao beijo que contivemos
na boca sem respirar, celebrando um momento réu.
Imagino-te ainda naquela cama onde nos inventámos
A mesma luz ténue acariciando a intensidade do teu clamor.
Esquecidos do mundo, da ausência à saudade que guardámos
Nas nossas almas sem fundo, incendiando todo esse fulgor.
Imagino-te ainda nessa despedida onde nos traímos
Os ínfimos pormenores elevando a memória imortal.
Ali perto do mar, de uma palavra ao grito que ouvimos
na solidão ao regressar, perdurando no gosto a sal.

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