Sentes o rubor do meu beijo.
Chamas por mim, pelo meu nome,
essa viscosidade doce e arrastada,
que só saboreio nos teus lábios.
A voz estranha que não reconheces,
deixa-te surpreendida.
Sem nexo, pedes-me que te abrace
com força, para que te esmague.
Não morreria por ti.
E tu sabes.
Choras. Ninguém chora como tu.
Só eu sorrio como tu choras.
Deitas-te sobre mim e sou um fraco pulsar
regular.
Fala-te o coração que parou há pouco,
por querer, por descuido, por não saber
bater.
Mas ainda assim, respiras para dentro de mim
asfixiada, ainda assim, és tu. Sempre tu.
Já não há sonhos.
Tu finalmente descobres.
E deixas de condenar e castigar,
quem já não sonha.
Olhas-me uma última vez.
O meu rosto decorado, desvanecendo-se.
Ainda há pouco estava aqui,
agora… já não sabes nada de mim.

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