Queria
ser céu romance que te inunda
No
teu quarto um imenso teto cor de mar
Onde
renascem as ilusões do teu corpo a naufragar
Mas
sou uma noite desamparada de profunda
Na
solidão noturna uma consequência fatigante
De
um desabrigo contínuo, a fantasia inconstante.
Queria
ser melodia que te embala morena
Na
tua boca o soletrar de uma paixão intensa
O
meu nome correndo num clamor fatal de sentença
Mas
sou silêncio estridente de uma vulgar condena
Na
tua face teatro vazio memorizado o delito
De
um tempo aos poucos adiado num compasso infinito.
Queria
ser sangue revigorante que se devora
Nas
tuas veias o calor abrasando a pele afogueada
Desses
labirintos em chamas uma pulsação desgovernada
Mas
sou fome tumultuosa que se prolonga na demora
Na
tua alma ilimitada o vazio de um jejum indolente
De
palavras isoladas, cartas queimadas, um beijo insuficiente

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