És minha. Adoro-te! A
minha querida puta… Nem sei exprimir o quanto te adoro. Noite após noite,
persigo os meus secretos desejos que me guiam até ti, à tua língua
desembaraçada, ao teu corpo celeste deflagrando-se no meu, explodindo... à tua
boca sobre os meus gemidos, às tuas mãos que cicatrizam as minhas consecutivas
derrotas. Como adoro a tua voz. A tua voz que antes de gritar o meu nome como
se fosse uma perfeita nota musical, repetindo-o deliciosamente, em tons sobre
tons cavalgantes, me recebe e me acolhe, sorrindo o meu nome. A tua voz a
sorrir para mim, sempre, a todo o minuto. Perguntas-me afavelmente pelo
escurecer do meu dia, pelo acumular desgastante e impaciente do meu dia de
trabalho e ouves-me atentamente como em ti houvesse um poço onde tudo se dilui
e se perde como ecos distantes de algo que na verdade não existe.
Abraças-me na tua compreensão enquanto me sentas no sofá, servindo-me uma
bebida a cantarolar de contente, continuando a ouvir-me e a apoiar-me
incondicionalmente mesmo apesar de não perceberes nada do que faço lá fora no
meu mundo sujo de cinza. Não importa. Para o que conta o mundo não tem assim
tanta importância aqui neste nosso submundo, na nossa história de capítulos
vermelhos, de páginas soltas voando livres no ar, espalhando-se no chão sem que
a ordem das palavras seja propriamente determinante… somos apenas nós, actores
púrpuras e clandestinos a esconder uma história de outras histórias. Aqui, para
sempre aqui, onde o teu sorriso me antecipa e antecipa as expressões que vou
encontrar quando te deitar na cama, no sofá, na mesa da sala, onde for que o
meu desejo te deseje consumir, onde for que esteja pronto a vencer o mundo.
Aguardo… secretamente ainda aguço os meus dentes e as minhas unhas… grunho
baixinho nos entretantos, deliciando-me com a tua massajem nas minhas costas,
nas minhas têmporas, com a delicadeza com que lavas e beijas os meus pés como
se fosses o meu próprio Cristo pessoal, pronto a morrer por mim. És minha...
Adoro a forma como as tuas curvas delicadamente sinuosas me embriagam e me
chamam constantemente para as contornar com as minhas mãos vento, como o teu
cheiro perfeito de âmbar, magnólia, violeta e vermelho, inundando o ar de
desejo, confunde e sobressalta todos os meus sentidos como unidos num só.. adoro
como os teus olhos verdes gato mimado não necessitam de ver mais nada senão
este meu corpo quebrado, cada vez mais vencido pela idade. Este corpo nu que
deitas junto do teu e proteges, alimentando o seu ego para me fortalecer, para
me revigorar. Alimenta-te dele uma vez mais. Alimenta-te que eu nasço de novo,
uma vez mais, só mais uma vez. Sabes que te adoro e que te daria o meu coração
se o tivesse. Não aguento toda esta excitação submissa e secreta... Hoje não! Puxo-te
para mim, agarrando-te com segurança pelos teus braços e pergunto-te beijo com
beijo o que queres afinal de mim com todo esse amor tão perfeitamente encenado.
Olhas-me condescendente, sorris como que embriagada, o teu corpo frágil por
debaixo da camisa de noite negra e sedosa… Estás ajoelhada perante mim, a meus
pés, nunca tiveste nada a perder desde mim. Debruças-te sobre ti própria,
contorcendo-te de uma forma gentil e esguia, como te quisesses proteger e
olhando-me sem que o teu sorriso mude a tua expressão segura e confiante.
Agarro a tua mão e coloco-a sobre o meu peito, sobre minha a pele, sem te dizer
uma palavra. Não conseguirei ser tão sincero nem ter tanta coragem. Descobre-o…
ele está lá mas não sei onde, talvez tu saibas. Não sabes nada de mim. Não
desconfias que por vezes choro, que vejo no espelho um fantasma ou a ausência
de um passado no fundo dos reflexos quando acordo de manhã e me preparo para um
dia que antecipei totalmente durante toda a noite, acordado, sonâmbulo sobre
todos os sonhos que perdi algures… porque não conheces os meus medos, a minha
solidão, quem sou… puxo-te para o meu colo, desaperto o meu cinto e abro as
minhas calças, empurrando-as para baixo desleixadamente com a tua ajuda. Afasto
as tuas cuecas do teu segredo não segredo, rasgando-as. Penetro-te sustendo a
respiração e dás uma gargalhada, gemendo em seguida quando chego mais fundo.
Detesto essa ordem de ideias mas depois também eu me rio por dentro, quando
observo o contorno da tua expressão mudar nas minhas mãos. Finalmente um
momento.
Thursday, February 14, 2008
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