Percorro sem rumo as ruas nocturnas desta cidade veloz. Sou mais um dos fragmentos de todas as sombras disformes que compõem este lúdico cenário. Aos poucos perco as horas como restos de recordações falsas, como meros registos de uma vida sentida de inexistente. Resta-me no horizonte turvo da escuridão atroz um pouco do teu palco imaginário, o desenho da tua cintura desfigurando passos de valsas e o ardor deste meu desejo demente.
Que o meu coração se perde entre dois tempos… entre o tempo de deambular inconfidente, sem que qualquer destino me torne suficiente e o tempo disperso de um bater irregular, cavalgante, onde os sentidos e as direcções ficam por traçar e a linha do horizonte se desfaz num perfil ondulante do teu semblante singular.
Invadi mais uma noite nua sem me revelar. Sou o abraço de uma madrugada inimiga, o calor quente de uma mentira vermelho fogo. Tudo resistirá em redor deste palpitante jogo, a vida por saborear… Cairão as nossas máscaras de olhares inexpressivos, inundar-se-ão os tempos mortos de expressões escuras de mudas, gastarei todas as pausas inesperadas no frente-a-frente das línguas soltas de carnudas. Apenas um silêncio bastará para calar todos os motivos e se deflagrarem nos corpos as almas incendiadas.
Que o meu coração bate a dois tempos… descompassado, sobressaltado, o seu ritmo desconcertado, surpreende-me de precipitado… e eu aqui sem saber o que dele fazer, o que fazer de nós, porque tudo se deitará a perder, tudo deixará de ser, quando se calar a sua voz.
Reconheço o horizonte deste meu regresso penitente. Atravesso ruas de silêncios inarráveis na tua direcção sem saber ainda quem deixei de ser, que mentira fraga se agarra desesperada ao meu corpo fausto. Porque tudo se resume aos redutos das nossas palavras escondidas de inseparáveis, aos percursos de colisões, rebeliões, intrusões… o teu olhar exausto… indiferente perante o meu pulsar latente… não parei a tempo de te ver.
Que o meu coração vive a dois tempos... cansado de todos os regressos secretos, de todos os sorrisos desleais de inúmeros pretextos artificiais, de todos os meus movimentos esquivos sobre contactos evasivos que ignoram os peitos abertos.
Refugio-me junto ao teu corpo eterno. Reconheço-lhe os caminhos direitos, as fugas perto do fim, todas as paisagens transparentes. Pelo meu toque atrasado denuncio em mim os tons de um amor inferno e inundo-te de um oxigénio envenenado, o ar ladeado por um perfume alheio que crucifica os meus gestos estreitos. Sorris-me que é jasmim, céus de miragens ardentes. Beijo-te longamente… que foi um longo devaneio, vestígios de lentos momentos, torturas de sonhos cinzentos.
Que o meu coração se perde entre dois tempos… entre o tempo de deambular inconfidente, sem que qualquer destino me torne suficiente e o tempo disperso de um bater irregular, cavalgante, onde os sentidos e as direcções ficam por traçar e a linha do horizonte se desfaz num perfil ondulante do teu semblante singular.
Invadi mais uma noite nua sem me revelar. Sou o abraço de uma madrugada inimiga, o calor quente de uma mentira vermelho fogo. Tudo resistirá em redor deste palpitante jogo, a vida por saborear… Cairão as nossas máscaras de olhares inexpressivos, inundar-se-ão os tempos mortos de expressões escuras de mudas, gastarei todas as pausas inesperadas no frente-a-frente das línguas soltas de carnudas. Apenas um silêncio bastará para calar todos os motivos e se deflagrarem nos corpos as almas incendiadas.
Que o meu coração bate a dois tempos… descompassado, sobressaltado, o seu ritmo desconcertado, surpreende-me de precipitado… e eu aqui sem saber o que dele fazer, o que fazer de nós, porque tudo se deitará a perder, tudo deixará de ser, quando se calar a sua voz.
Reconheço o horizonte deste meu regresso penitente. Atravesso ruas de silêncios inarráveis na tua direcção sem saber ainda quem deixei de ser, que mentira fraga se agarra desesperada ao meu corpo fausto. Porque tudo se resume aos redutos das nossas palavras escondidas de inseparáveis, aos percursos de colisões, rebeliões, intrusões… o teu olhar exausto… indiferente perante o meu pulsar latente… não parei a tempo de te ver.
Que o meu coração vive a dois tempos... cansado de todos os regressos secretos, de todos os sorrisos desleais de inúmeros pretextos artificiais, de todos os meus movimentos esquivos sobre contactos evasivos que ignoram os peitos abertos.
Refugio-me junto ao teu corpo eterno. Reconheço-lhe os caminhos direitos, as fugas perto do fim, todas as paisagens transparentes. Pelo meu toque atrasado denuncio em mim os tons de um amor inferno e inundo-te de um oxigénio envenenado, o ar ladeado por um perfume alheio que crucifica os meus gestos estreitos. Sorris-me que é jasmim, céus de miragens ardentes. Beijo-te longamente… que foi um longo devaneio, vestígios de lentos momentos, torturas de sonhos cinzentos.

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